Vídeos longos no Instagram, séries no YouTube e o Pinterest aberto aos grandes orçamentos

Depois de anos de resistência, o Instagram abre as portas para o vídeo longo, o YouTube transforma Shorts em séries, o Edits chega ao computador e o Pinterest se abre aos grandes orçamentos de mídia.
A fronteira entre vídeo curto e vídeo longo está desaparecendo rapidamente. O Instagram está testando vídeos horizontais de até 90 minutos, e, em uma entrevista de uma hora, Adam Mosseri fala abertamente sobre por que mudou de ideia e sobre o que ainda não funciona. Ao mesmo tempo, o YouTube mostra que até Shorts de um minuto podem virar uma série à qual o público sempre volta. E formatos mais longos pedem ferramentas melhores, por isso a Meta está levando o app de edição Edits para o computador.
Para os criadores, isso significa novos formatos e novas formas de construir um público fiel. Para as marcas, novos espaços para integrações, de podcasts e séries até a compra programática no Pinterest. Selecionamos quatro novidades e, para cada uma, explicamos por que ela importa.
Instagram Features: vídeos de até 90 minutos e uma grande virada de Adam Mosseri
O Instagram está testando o Features, vídeos horizontais de até 90 minutos, pensados para podcasts, entrevistas e vlogs. Adam Mosseri em uma entrevista a Colin e Samir, admitiu que por muito tempo foi contra o vídeo longo. O que o fez mudar de ideia foi a TV, onde as pessoas assistem ao Instagram juntas. Os criadores poderão vincular até oito Reels a um único vídeo, como trailers. Por enquanto, há um porém: o Features não tem divisão de receita de anúncios. O próprio Mosseri reconheceu que, se os criadores não tirarem valor suficiente do formato, ele vai fracassar.
Por que isso importa: Os criadores podem testar o formato longo onde já têm público. Por enquanto, porém, a renda virá principalmente de parcerias com marcas, o que abre para as marcas um novo espaço de integração em podcasts e séries.
Microdramas no YouTube: séries que cabem em um minuto
O YouTube mostrou como os criadores estão transformando Shorts em séries: histórias em várias partes, divididas em cenas de cerca de um minuto. O formato nasceu na Ásia e, só no primeiro semestre deste ano, somou mais de 6,5 bilhões de visualizações. Além disso, os episódios têm vida longa: 40% das visualizações acontecem mais de um mês depois da publicação. O novo recurso Shorts series permite organizar os vídeos em temporadas e episódios, e em breve vai ficar mais fácil entrar no programa de membros pago do canal para ver os próximos capítulos.
Por que isso importa: O vídeo curto está voltando ao que funciona na TV: ganchos e hábito. Para os criadores, é um caminho para um público recorrente e para assinaturas. Para as marcas, é um novo formato de product placement: o canal japonês GOKKO CLUB já produz microdramas sob encomenda para grandes empresas, integrando a mensagem delas diretamente a uma trama que o público não pula.
Edits chega ao iPhone Duo dobrável e ao computador
A Meta lançou uma versão do app de edição Edits para o iPhone Duo dobrável, cuja tela maior permite ver a linha do tempo e a prévia lado a lado. Além disso, alguns criadores selecionados já estão testando uma versão do Edits para computador, que o criador Taylor Golub mostrou e que Adam Mosseri descreveu como a base para novos recursos.
Por que isso importa: A Meta está transformando o Edits em uma alternativa completa ao CapCut, conectada diretamente ao Instagram. Com a chegada do vídeo longo, a edição no computador faz sentido: um podcast de 90 minutos é difícil de editar no celular. Em breve, criadores e equipes de conteúdo das marcas poderão cuidar de todo o processo, da edição à publicação, dentro das ferramentas da Meta.
Pinterest Programmatic Deals: anúncios no Pinterest além do Pinterest Ads
O Pinterest lançou o Programmatic Deals, que permite comprar seu inventário publicitário de forma programática por meio de plataformas externas. Em parceria com a Magnite, os anúncios estão disponíveis via Yahoo DSP, Amazon Ads DVA+ e Google Display & Video 360. Assim, grandes anunciantes podem incluir os formatos de display e vídeo do Pinterest nas campanhas que já estão rodando, sem precisar montar campanhas separadas no gerenciador de anúncios do Pinterest. Os primeiros resultados são promissores: segundo a Adweek, a marca de beleza Moroccanoil incluiu o Pinterest em sua campanha no Amazon Ads e teve uma taxa de cliques 20% maior do que na sua campanha média na Amazon. Por enquanto, a novidade está disponível na América do Norte, na América do Sul e na Ásia-Pacífico, ou seja, já chega ao Brasil.
Por que isso importa: O Pinterest é uma plataforma que as pessoas acessam com intenção de compra: planejam a casa, o casamento ou os presentes. Até agora, porém, ele era mais um sistema separado que as grandes agências de mídia não viam vantagem em operar. A conexão com as ferramentas programáticas reduz a barreira para os grandes orçamentos. Para as marcas brasileiras, é uma oportunidade imediata e também um sinal de para onde o mercado está indo: as redes sociais se abrem como inventário de mídia padrão, e a compra de mídia fica cada vez mais centralizada.
Instagram e YouTube querem que o público fique mais tempo: o Instagram com vídeos longos e a TV, o YouTube com séries em formato curto. A Meta acrescenta ferramentas de edição e o Pinterest abre seu inventário aos grandes anunciantes. O denominador comum é claro: vence o conteúdo ao qual as pessoas voltam, não o viral de um dia só.
Para os criadores, este é o momento ideal para experimentar conteúdo seriado e mais longo, lembrando que, no Instagram, por enquanto, o dinheiro virá principalmente das parcerias com marcas. Para as marcas, é um sinal de que vale a pena buscar criadores que saibam contar histórias e construir um público recorrente, porque é justamente nesses formatos que as integrações se encaixam de forma mais natural.
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