← Voltar ao blog
    Social News

    As primeiras estrelas da Copa do Mundo, incluindo o pato, e as redes sociais como principal fonte de notícias

    Filip Vích
    As primeiras estrelas da Copa do Mundo, incluindo o pato, e as redes sociais como principal fonte de notícias

    O mundo das redes sociais está sendo dominado pela Copa do Mundo em andamento, que já revelou novas estrelas globais. No nosso resumo semanal, também analisamos um novo relatório da Reuters que confirma que as redes sociais estão se tornando a principal fonte de notícias.

    As redes sociais já são o principal canal de distribuição de notícias

    Em seu Digital News Report 2026, o Reuters Institute descreve uma virada importante na forma como as pessoas consomem notícias. Globalmente, as plataformas sociais e de vídeo ultrapassaram tanto a televisão quanto os sites de notícias como fonte de informação. Segundo o relatório, 54% dos entrevistados consumiram notícias por meio de redes sociais e plataformas de vídeo na semana anterior à pesquisa, contra 52% pela televisão, 51% por sites e aplicativos de notícias e 21% pelo rádio. Se os chatbots de inteligência artificial também forem incluídos, a participação das plataformas digitais como fonte de notícias sobe para 56%.

    O ponto essencial é que isso não representa apenas mais um avanço do Facebook ou das redes sociais tradicionais. As notícias estão migrando cada vez mais para ambientes de vídeo, como YouTube, TikTok, Instagram, podcasts e personalidades que o público acompanha diretamente. O Reuters Institute confirma, assim, uma tendência central para os meios de comunicação e para os profissionais de marketing: a audiência já não vai principalmente às homepages dos veículos para se informar. Ela recebe informação por meio de plataformas, algoritmos, recomendações e rostos nos quais confia.

    O relatório também mostra um cansaço mais amplo em relação às notícias. Segundo o resumo dos resultados do Reuters Institute, a parcela de pessoas que dizem não se interessar por notícias subiu de 16% em 2021 para 25% em 2026. Já a parcela de pessoas que afirmam estar “extremamente” interessadas em notícias caiu de 59% para 43%. Para os veículos de comunicação, isso cria um problema duplo: as pessoas estão migrando para as plataformas, enquanto parte do público está se afastando ativamente das notícias.

    Instagram dá aos usuários mais controle sobre o algoritmo

    O Instagram expandiu o recurso Your Algorithm para o feed principal. Agora, os usuários podem ver os temas que o Instagram acredita serem do seu interesse e também editá-los. O recurso foi testado primeiro no Reels, em outubro de 2025, depois foi ampliado para o feed Explorar e, em junho de 2026, chegou também ao feed principal.

    O ponto principal é que os usuários deixam de influenciar o algoritmo apenas de forma indireta, por meio de curtidas, contas seguidas, tempo de visualização dos vídeos ou compartilhamentos. O Instagram começa a mostrar em quais categorias de conteúdo o sistema os enquadra e permite que eles indiquem o que querem ver mais e o que querem ver menos. É uma mudança de um algoritmo puramente implícito para um modelo em que o usuário passa a ter, ao menos parcialmente, controle sobre a forma como seu feed é montado.

    Adam Mosseri, chefe do Instagram, vem dizendo há algum tempo que a transição para recomendações baseadas em inteligência artificial enfraqueceu a importância original de seguir contas. Antes, o fator decisivo era quem a pessoa seguia. Hoje, o feed é cada vez mais composto por conteúdos recomendados de contas que o usuário nem sequer segue. Por isso, o recurso Your Algorithm busca reduzir a sensação de que o feed simplesmente “acontece” ao usuário, sem que ele possa interferir ativamente nele.

    YouTube volta a testar mensagens privadas

    O YouTube está ampliando o compartilhamento de vídeos e as mensagens dentro do aplicativo, ou seja, a possibilidade de compartilhar vídeos e conversar sobre eles diretamente dentro do app. Desde 10 de junho de 2026, o recurso está sendo expandido para os Estados Unidos e outros mercados globais para usuários maiores de 18 anos. Segundo o YouTube, as pessoas poderão compartilhar vídeos, Shorts e transmissões ao vivo diretamente no aplicativo e reagir a eles em tempo real.

    Mais especificamente, o recurso está disponível apenas em determinados países e regiões, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Brasil, Singapura e vários países europeus. A Central de Ajuda do YouTube também lista República Tcheca, Eslováquia, Polônia, Alemanha, França, Itália, Espanha e Suécia. O usuário precisa ter mais de 18 anos, estar conectado a um canal e, em alguns casos, verificar sua idade.

    A mecânica de conexão também é importante. Não se trata de um chat aberto com desconhecidos. Ao assistir a um vídeo, o usuário pode clicar em compartilhar, selecionar um contato ou enviar um convite para o chat por meio de outro aplicativo. O destinatário pode aceitar ou recusar o convite. Os convites são válidos por sete dias. O YouTube também afirma que as mensagens podem ser

    Threads cresce e quer se tornar um novo espaço para debates em tempo real

    A Meta anunciou que o Threads chegou a 500 milhões de usuários ativos mensais. É um marco importante para uma plataforma criada como concorrente do X e que tenta se consolidar como um espaço público de conversa, comentários sobre a atualidade e comunidades temáticas.

    Ao mesmo tempo, a Meta está ampliando os recursos de comunidades. As comunidades no Threads estão saindo da fase beta e ganhando seu próprio hub, uma identidade visual mais forte por meio de ícones de comunidade, um sistema de progresso comunitário e maior reconhecimento dos membros ativos por meio dos community champions. A Meta também está lançando comunidades locais com tags em idiomas nativos no Japão, na Coreia e em Taiwan. Os Live Chats devem ser ampliados para mais comunidades nas próximas semanas e devem ganhar a possibilidade de coapresentação e de citar momentos diretamente no feed.

    Junto com as comunidades, chega também o recurso Your Algo. Ele permitirá que os usuários digam de forma privada ao Threads quais temas querem ver mais ou menos no feed, além de definir se essas preferências devem valer por um, três ou sete dias. O recurso dá sequência ao antigo Dear Algo, em que os usuários podiam dar feedback público ao algoritmo. O Your Algo será lançado primeiro nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia.

    Reino Unido quer proibir redes sociais para menores de 16 anos

    O governo britânico anunciou um plano para proibir o uso das principais redes sociais por crianças e adolescentes menores de 16 anos. Segundo o comunicado do governo, a proibição deve se aplicar a plataformas como Snapchat, TikTok, YouTube, Instagram, Facebook e X. Serviços de mensagens como WhatsApp e Signal devem ficar fora da proibição, porque o governo não quer colocá-los na mesma categoria das plataformas sociais algorítmicas.

    Segundo a ficha informativa do governo, a medida não se limita à proibição das redes sociais para menores de 16 anos. O pacote também inclui restrições a recursos considerados prejudiciais em outros serviços online, como transmissões ao vivo ou contato de crianças por desconhecidos. Para usuários de 16 e 17 anos, alguns recursos de risco devem ser limitados por padrão. O governo também fala em controles de idade mais rigorosos.

    O Guardian relata que a proibição se inspira no modelo australiano e deve se aplicar a serviços de interação entre usuários que tenham recomendações algorítmicas e permitam a publicação de conteúdo. O órgão regulador Ofcom deve desempenhar um papel central na implementação e na verificação de idade. Entre os possíveis métodos de comprovação de idade estão identidade digital, estimativa de idade por reconhecimento facial ou verificação por meio de dados bancários.

    Para o mercado publicitário, trata-se de um tema enorme. O Guardian, citando uma análise da eMarketer, afirma que a proibição poderia reduzir em 1,3 bilhão de libras os gastos previstos com publicidade digital no Reino Unido em 2027. Segundo as estimativas, parte desses orçamentos pode migrar para serviços de streaming com planos com anúncios, como Netflix, Amazon Prime Video ou Disney+, além de esportes, ambientes escolares, formatos familiares de televisão e outros canais fora das redes sociais tradicionais.

    A Levi’s mostrou que a marca mais forte é aquela que você reconhece mesmo sem o nome

    Durante a Copa do Mundo, o nome Levi’s Stadium precisou ser coberto por causa das regras da FIFA, e o estádio passou a ser identificado de forma neutra durante o torneio como San Francisco Bay Area Stadium. Só que a cobertura do logotipo acabou criando uma forma que lembrava o icônico símbolo batwing da Levi’s. As fotos começaram a circular nas redes sociais, e o que era uma restrição obrigatória se transformou em um dos momentos de marca mais inteligentes do torneio. Em seguida, a Levi’s mudou sua foto de perfil no Instagram e aproveitou a situação como seu próprio momento social.

    Herói viral número um: Tim Payne

    Uma das maiores histórias da primeira semana da Copa do Mundo é a do zagueiro neozelandês Tim Payne. A Reuters escreveu que Payne se tornou uma sensação viral depois que um influenciador argentino o chamou de “jogador menos conhecido” do torneio e incentivou os fãs a começarem a segui-lo. Seu Instagram passou de menos de 5 mil seguidores para cerca de 5,8 milhões. Pouco depois, a Reuters informou que Payne havia assinado um contrato de um ano com o clube paraguaio Olimpia.

    Esse é um exemplo clássico do valor esportivo moderno. A estrela não surgiu primeiro pelo desempenho, mas pela narrativa. “O jogador menos conhecido da Copa do Mundo, que a internet decide impulsionar coletivamente.” A história era simples, fácil de entender e tinha uma chamada clara para ação: siga-o.

    Herói viral número dois: Vozinha e a força dos streamers

    Um caso ainda mais forte veio de Cabo Verde. O goleiro Vozinha teve um crescimento enorme no Instagram depois do empate em 0 a 0 com a Espanha. A AP informa que, antes da partida, ele tinha cerca de 50 mil seguidores; depois do jogo, passou de um milhão; e, em menos de 24 horas, chegou a quase 10 milhões. Um papel importante foi desempenhado pela brasileira CazéTV e pelo streamer Casimiro Miguel, que durante a transmissão pediu ao público que começasse a seguir Vozinha. Segundo a AP, a CazéTV tem mais de 31 milhões de inscritos no YouTube e trabalha com um estilo informal e comunitário de transmissão esportiva.

    Aqui já não se trata apenas de um momento viral. O que vemos é um streamer se transformando em infraestrutura de distribuição. Casimiro Miguel não atuou como um comentarista tradicional. Atuou como líder de uma comunidade capaz de converter atenção em ação durante uma transmissão ao vivo.

    Essa é a principal lição para as marcas. Influenciadores não são apenas “alcance”. São pessoas capazes de mobilizar uma audiência. A diferença entre alcance publicitário e mobilização comunitária é fundamental: a publicidade comunica, mas a comunidade age.

    Merlin: o pato como mascote não planejado

    O terceiro tipo de história viral é Merlin, um pato domesticado vestindo uma camisa do México. A Reuters descreve que Merlin apareceu nas ruas da Cidade do México depois da vitória do México sobre a África do Sul no jogo de abertura. Torcedores o filmaram com seus celulares, as imagens começaram a circular online e as pessoas passaram a pedir que ele se tornasse o mascote não oficial da seleção mexicana.

    O mais importante nessa história é a autenticidade. Merlin não é uma ideia de agência. Não é uma ativação planejada. É absurdo, visual, local e imediatamente compreensível. Exatamente o tipo de momento que as redes sociais adoram. Nike vs. Adidas: as marcas já não competem apenas na publicidade, mas na cultura

    A Reuters descreveu a Copa do Mundo deste ano como uma batalha importante entre Nike e Adidas. A Nike quer usar o torneio para fortalecer sua marca em um momento em que enfrenta uma pressão comercial mais ampla, apostando na campanha Rip the Script, nas novas chuteiras Mercurial, no trabalho com varejistas e no patrocínio de 12 seleções nacionais. A Adidas ocupa a posição de patrocinadora oficial, fornece a bola oficial e veste 14 seleções. A Reuters também menciona que as camisas do México e da Argentina estão vendendo especialmente bem.

    Carl for Social

    Não perca o que vem a seguir.

    Fique por dentro das tendências e dicas de mídia social que ajudam você a expandir seu conteúdo no Instagram, TikTok, Facebook e YouTube. Baixe Carl for social — é grátis.

    Baixar aplicativo